A Grande Falácia


Sabeis o que é uma grande falácia? As conquistas históricas da Maçonaria, eis o que é uma grande falácia.

À pergunta «o que é que a Maçonaria conquistou em prol da Humanidade(?)», só pode existir uma resposta: nada!

Já à pergunta «em que conquistas em prol da Humanidade estiveram envolvidos maçons(?)», aí já se pode responder: muitas!

Mas uma coisa não pode ser confundida com a outra; não podemos confundir os maçons com a Maçonaria.

A Maçonaria é uma entidade abstracta, não existe per si. Como tal, não pode arrogar qualquer conquista. Claro que isto não é assim tão linear. Nem todos os portugueses embarcaram e participaram nos Descobrimentos, no entanto hoje estudamos os Descobrimentos portugueses (bom, agora querem que estudemos a “Expansão Ibérica”, misturando alhos com bugalhos, mas isso não vem ao caso). Estas generalizações, no entanto, são vulgares, comuns. Mas cabe-nos, enquanto Homens de Razão, destrinçar estas por vezes subtis, mas indiscutíveis diferenças.

Pelo facto de um maçon ou um grupo de maçons, juntamente com não-maçons, terem alcançado esta ou aquela vitória civilizacional, não se pode, de uma forma simplista, atribuir tal feito à Maçonaria. Isto porque uma moeda não tem só uma face. Se um episódio honroso, levado a cabo por um ou vários maçons pode ser reclamado pela Maçonaria, então também o têm de ser todos os actos opróbrios e infames perpetrados por inúmeros (que se dizem) maçons.

Para se falar em termos bem concretos… não se pode dizer que a implementação do Sistema Nacional de Saúde (usamos este exemplo para não referirmos a implantação da República [que era o que seria de esperar], pois considerar que tal foi uma “conquista” pode ser amplamente discutido) foi uma conquista da Maçonaria (foi, isso sim, de um maçon, com a ajuda de muitos outros maçons e não-maçons, homens e mulheres) e depois dizermos que a Maçonaria nada teve a ver com o massacre levado a cabo por Anders Breivik, um Venerável Mestre Maçon.

(Poderá dizer-se: «mas esse fulano nada tinha de maçon, é uma vil pessoa». Mas a questão é também essa: a condição de maçon não é, nunca foi, nem nunca será, determinante do carácter de uma pessoa. Questão esta que será talvez melhor analisar noutra altura…)

Assim, esta distância, este desvinculo entre o que é o maçon e o que é a Maçonaria, o fim desta confusão, é absolutamente vital para a preservação da Honra e do Bom Nome da Ordem Maçónica, essa entidade abstracta. E o trabalho, do qual resultará o fim desta confusão, deverá ser encetado dentro da Maçonaria, nos templos maçónicos. Aí não pode haver lugar para este engano, para este equívoco. As vantagens de tal tomada de consciência são muitas, eis algumas:

Primeiramente, cria-se uma massa crítica; criam-se argumentos válidos, refutáveis como o são todos, mas justos. E não se cai no mesmo erro que o comum e ignorante dos mortais…

Depois, afasta a bazófia, a vaidade, a vanglória do maçon por conquistas que, de facto, não pertencem nem à Ordem e muito menos ao próprio.

Por fim, arrepia caminho e faz compreender que, se os maçons do passado, a quem se furta as suas conquistas, atribuindo-as à Maçonaria, estivessem à espera de que a Ordem Maçónica, essa entidade abstracta, fizesse alguma coisa, ainda hoje nada se tinha feito.

Assim, a tomada de consciência de que os maçons e a Maçonaria não são a mesma coisa, traz vantagens evidentes, alicerçadas num maior saber, numa maior humildade e num estímulo à acção. As vantagens de se continuar a confundir uma coisa com a outra, não as consigo descortinar…

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4 respostas a A Grande Falácia

  1. Pingback: Onde, quando, o quê, como e porquê? | initiatio – invenies occultum lapidae

  2. victor diz:

    Na verdade é um pouco ambíguo, discutem-se os factos por eles próprios. O que não é, aconteceu porque é, ou poderia ter sido. Esperava algo mais esclarecedor, em termos humanísticos, de objectivos, e a favor do sentido comum, como evolução social; tendo em conta sempre o bem comum, princípios de bem-estar e agregação colectiva no que respeita aos interesses…… .

  3. Pingback: A proposta (outra) | initiatio – invenies occultum lapidae

  4. Elisa diz:

    Gostei, realmente deixa claro o que é uma entidade, Maçonaria, e um individuo que faz parte dela, maçon. Existe muita polémica em torno deste tema. Como dizia Fernando Pessoa, “A alma é divina e a obra é imperfeita”.

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