Elevação


Certo dia, alguém nos disse, em resposta a um argumento que estávamos a querer fazer valer (oh idiotice!), que não encontrava a ideia de elevação no ritual maçónico. Encontrava essa ideia noutros movimentos/tradições, enumerando algumas de cariz oriental, mas que no ritual maçónico, de facto, não encontrava essa ideia. Nós argumentávamos que sim, que quando se pratica o ritual, existe, ainda que possa ser de forma implícita, uma ideia de elevação, ou de algo que pode ser traduzido por essa palavra; mas, seguramente, julgamos nós, não devemos ser a “mesma pessoa” que somos fora do Templo. Devemos elevarmo-nos; é costume acrescentar que até o humor, que muitas vezes “invade” os templos (e ainda bem), deve ser um humor com elevação, com “categoria”…

Ainda que muito possam argumentar em contrário, estamos terminantemente convictos desta ideia e podemos mesmo reforçar tal posição com passagens do ritual; as tais que não foram encontradas pela entreposta pessoa.

Assim, é no ritual que, quando se indaga o que fazem os maçons (no templo), se responde que «cavam masmorras ao vício e ELEVAM templos à virtude». Sim, estamos conscientes que é um argumento muito fraquinho; serve apenas para mostrar que a palavra está lá; e arriscamo-nos a dizer que, dessa forma, também lá está a ideia.

Mas há outro argumento com mais solidez, mas antes de o apresentar temos de fazer a devida vénia a JLS. Feita a vénia, avancemos…

Então, a que horas começam os maçons os seus trabalhos?

Ao meio-dia. Pois.

Sabemos que anda por aí a ideia de que o meio-dia simboliza a idade adulta(!) ou idade “madura”. Bom, vamos lá ver se nos entendemos, essa “coisa” da idade já está perfeitamente definida nos graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre. Não nos parece que faça sentido uma sobreposição de simbolismos. Não podemos dizer que o Aprendiz (ou o Companheiro ou o Mestre) tem X anos e depois ao meio-dia, quando começam os trabalhos, já é adulto.

Depois, aquela outra ideia de que ao meio-dia não há sombra… onde? Só se fôr no Equador. E, para além disso, os trabalhos decorrem, simbolicamente, claro está, do meio-dia à meia-noite. Mesmo que começassem sem sombra, ali por volta da uma da tarde, já lá estava ela, a maldita.

Assim, depois de se esquecerem estas suposições estapafúrdias, talvez possamos entrever a ideia que, mais certamente, pode ser encontrada pela análise ao simbolismo de que os maçons começam os trabalhos ao meio-dia, e que será o facto de que, nessa altura, ambos os ponteiros do relógio apontam, para onde?, isso mesmo, para cima, para o alto. É hora, então, de “acertar as agulhas”; é hora então de nos elevarmos, olhando para cima, tal qual ponteiros do relógio (se se puserem aí com conversas de relógios digitais e mais não sei o quê, eu juro que me vou embora).

E os trabalhos terminam à meia-noite, pois, após os trabalhos, que terão decorrido, assim se espera, de forma justa e perfeita, é natural que todos estejam “alinhados” com o alto.

A simbólica maçónica presta-se, claro está, a um sem número de interpretações, muitas das vezes tão díspares que chegam a ser antagónicas (já para não falar das ideias que existem para o que é a Maçonaria, das quais se pode dizer exactamente o mesmo). Parece-nos, no entanto, que todo o caminho de desvelar do símbolo nos leva no sentido do simples; não do simplista, mas do simples. Contudo, o caminho que nos leva ao simples é extremamente complexo. Mas é o caminho, pois a resposta, a meta só pode ser… simples.

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